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Macnica DHW e AQTech desenvolvem hardware nacional para monitoramento de grupos geradores

A Macnica DHW acaba de desenvolver uma nova plataforma de hardware em parceria com a empresa de base tecnológica AQTech Engenharia e Instrumentação, de Florianópolis-SC. Este hardware é parte do novo produto SMGer-GMG da AQTech, um sistema miniaturizado para monitoramento de grupos geradores de energia que é utilizado principalmente para gestão de ativos, otimização de custos de manutenção e auditoria de contratos de garantia e de locação.

As soluções da AQTech facilitam as atividades das equipes de operação e manutenção fornecendo apoio ao diagnóstico de problemas intermitentes, resultando em redução de indisponibilidade das máquinas para geração de energia. O SMGer-GMG disponibiliza os dados do gerador de forma acessível em qualquer parte do mundo por um navegador WEB.

Segundo o gerente de pesquisa e desenvolvimento da Macnica DHW, Fernando Souza de Andrade, esse produto, que já se encontra prototipado, começou a ser desenvolvido em outubro do ano passado, quando a AQTech demandou o seu desenvolvimento a partir de diversas especificações, como entradas analógicas, porta de internet, definição das interfaces e dos programas que deveriam rodar dentro do dispositivo de lógica programável.

“Após desenvolvermos a primeira versão do protótipo, verificamos alguns pontos que poderiam ser melhorados e imediatamente passamos a produzir o segundo lote, que é um pouco diferente e mais evoluída”, explica Fernando, observando que foram produzidas 40 peças. Estes protótipos foram testados em laboratórios especializados com a execução de ensaios previstos em normas internacionais, em que o seu desempenho é testado em ambientes com calor, vibração e emissões eletromagnéticas, entre outros. Estes ensaios comprovam que o produto é robusto o suficiente para ser inserido no mercado.

De acordo com Fabrizio Leal Freitas, gerente de projetos da AQTech, a empresa trabalhava inicialmente com monitoramento de usinas de grande porte. Com o passar dos anos e o desenvolvimento de know-how, a empresa tomou a decisão estratégica de competir em novos mercados com maior volume.

“Atualmente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) identifica cerca de 4 mil plantas geradoras no país. Ou seja, esse não é um mercado de escala, mas de valor agregado. Então decidimos buscar o mercado de escala e vimos um potencial no segmento de grupos geradores, que tem um volume bem maior”, esclarece Fabrízio.

Esse segmento de mercado possui centenas de milhares de grupos geradores, embora seu valor agregado seja bem inferior na comparação com as usinas hidroelétricas. Fabrízio destaca algumas importantes aplicações dos grupos geradores, entre elas a utilização para emergências (quando por algum motivo é suspenso o fornecimento de energia elétrica das distribuidoras) e a geração de ponta (quando é mais barato para uma fábrica consumir energia gerada por diesel do que a das concessionárias, o que normalmente ocorre em horários de pico). Os grupos geradores são utilizados nos mais variados setores da indústria, desde construção civil, datacenters, hospitais, shoppings centers, eventos esportivos e de entretenimento, dentre outros.

 

Entrando no novo mercado

Quando a AQTech vislumbrou esse novo mercado, procurou inicialmente um patrocinador para o seu projeto de pesquisa e desenvolvimento, em conformidade com a Lei nº 9.991/2000, que determina que as empresas concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor de energia elétrica sejam obrigadas a aplicar anualmente um percentual de sua Receita Operacional Líquida (ROL) em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

“Já tivemos vários projetos de fomento através de órgãos como CNPQ, FINEP, FAPESC e no programa ANEEL de P&D. Especificamente no caso desse novo projeto, captamos a ENDESA Geração Brasil, do Rio de Janeiro, para ser o parceiro e patrocinador da inovação”, conta Fabrizio. O projeto é intitulado “Nacionalização de produto para monitoramento de grupos geradores”.

Quando a AQTech decidiu entrar nesse mercado, observou que já possuía um ótimo hardware, mas que não era adequado para este novo segmento. “Nosso equipamento era caro e grande demais para o mercado de grupos geradores. Então, buscamos a Macnica DHW para desenvolver o novo hardware miniaturizado em parceria conosco.”

Fabrizio ressalta que a AQTech está acostumada a trabalhar com grandes concessionárias, como COPEL, CEMIG, Tractebel, Eletronorte, CELESC, dentre outras, o que faz com que os painéis desenvolvidos para monitorar essas usinas sejam quase do tamanho de um grupo gerador. “Quando decidimos atuar no mercado de grupos geradores, tivemos que desenvolver outro equipamento, já que neste caso nossos clientes não são somente as concessionárias. Agora trabalhamos também em uma cadeia inteira que começa no fabricante, passa por integradores, distribuidores e locadores, até chegar aos clientes dos grupos geradores. As demandas são outras. E temos ainda que nos diferenciar dos competidores.”

A ENDESA, que já era cliente da AQTech, embarcou e apoiou a iniciativa da empresa catarinense, que assim passou a colocar seu know-how de monitoramento de grandes usinas à disposição do setor de grupos geradores. “No mercado de grupos geradores existem vários produtos, – nenhum deles é nacional – que não atendem as necessidades do cliente e tem sérias limitações”, acentua.

 

A importância da diferenciação

A diferenciação dos equipamentos é um fator altamente importante. Segundo Fabrizio, hoje em dia há vários produtos que fazem a telemetria de grupos geradores, um processo simples em que os dados são recolhidos e repassados à internet. “Para atender a demanda do setor, é preciso fazer monitoramento dos grupos geradores, tratando os dados obtidos com competência para fazer diagnósticos. Ou seja, é um processo inteligente e autônomo.”

Outro aspecto a favor do equipamento da AQTech é a maior quantidadede memória e capacidade de processamento. “Agregamos diferenciais que nos deram maior competitividade no mercado”, salienta Fabrízio, acrescentando que, embora o equipamento miniaturizado tenha sido desenvolvido para grupos geradores, ele se aplica a qualquer projeto de geração distribuída (energia solar, eólica etc).

O índice de nacionalização da tecnologia é outro ponto de diferenciação. “O produto SMGer-GMG já sai do forno com processo produtivo básico (PPB) aprovado pelo MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), o que nos garante benefícios fiscais para redução de IPI e ICMS. É uma vantagem competitiva”, comenta Fabrizio.

Com a finalização do desenvolvimento de hardware, a Macnica DHW e a AQTech tratam da transferência tecnológica. A ideia é que a AQTech domine totalmente o projeto de produto e tenha independência para reprodução do hardware em alta escala.

O projeto da AQTech junto a ENDESA, que vai até março de 2015, prevê não somente o desenvolvimento do produto e validação em laboratório, mas também aplicações em caráter piloto em potenciais clientes. Assim, a empresa vai emprestar 40 protótipos para usuários de grupos geradores para testes e feedback sobre o produto. “Acredito que esse novo hardware será utilizado por pelo menos uma década”, finaliza Fabrizio.